• Cobramor

Pena capital


na penumbra do quarto

que acidentalmente vislumbra

a luz, acredito

por vezes

parto

para o desconhecido

e o dia consumido

é esventrado

ferozmente canibalizado

pela vitória da alienação

nova glória da abstração


cada metrópole

tentáculos maquinais

liquefazendo o ânimo

em ocupações criminais

fio da lâmina

que culmina na jugular


retendo o fôlego

em esperança

uma nova cruzada

na segurança da iteração

andrajoso, sórdido e imundo

ostento a traição

como um emblema

enquanto se lamenta

ausência e solidão

homicídios na televisão

afogados no cíclico azul das sirenes


sobrevivemos

por isso celebremos

alheios à morte dos forasteiros

que nada nos são

contemplamos a derrocada do destino

sob o vespertino firmamento


farejar o sangue

sobre o asfalto

órgãos expostos

em sobressalto

aplauso da carne putrefacta

em nada impacta

a certeza

da invulnerabilidade


depois de tudo esquecido

reduzir-nos à baixeza

do tecido

que sobre

autodestruição diária

no horário nobre

e eu, um pária

aspirando à independência

entregando-me ao deserto

inóspito e golpeado

da palavra