• Cobramor

O fim está próximo


agiganta-se a distância entre cada corpo sem vigilância de morte ou solidão

nação em sonolência agitação estrangulada só a resistência reclama a existência conquistada

na honestidade das ruas


a sua reivindicação: sobreviver ao tempo não só a cada momento não mais cobiçar objetos

cortar directo ao osso

da vida


antes que se entreguem

ao instante já outro se atreve

e amanhã uma nova

inconstante vida lançar-nos-á

noutra campanha

feroz

pela distante ilusão das juras

veloz

na cortante hipoteca dos ideais


para quando o golpe de estado

contra o brilho devastado?

instilar espírito na voragem a cada criatura dormente

que diariamente acelera

da ascendência à decadência


eu sei

eu sei

eu sei

dentro em pouco serei mais um profeta louco anunciarei o apocalipse

por um megafone

consumindo cada bocado

de um deus estropiado

cujo legado foi adulterado


uma verdade que nada trouxe

que não o exercício da falsidade

uma mentira que nada trouxe

que não o vício pela lealdade