• Cobramor

Nada à mostra


o nosso verão terminou e há muito que as estrelas se extinguiram nos teus olhos

mais um gole e estamos prontos para a comédia decadente sabes que os novos deuses estão ocultos e manipulam-nos como marionetas, sejamos nós os novos selvagens

os barcos já não atracam sob a lua menstruado o deserto, perdeu-se o misticismo sei que seremos conduzidos ao matadouro pois sou ladrão santo escravo asceta criminoso sonhando todos os dias um passado romântico de revoluções e amor nu de ideias apenas tu para cobrires a vergonha

esquecemo-nos da chama da revolta pulsando em cada acto desenfreado infectando cada gesto transformámos-nos no respeitável voyeur predando colegiais

eis as portas todas encerradas e a tragédia prossegue com os mesmos bobos os mesmos mestres atrás das cortinas até que invocam a memória de marte, queremos o nosso sangue vivo a escorrer pelas ruas treinaremos hordas de assassinos invadindo as casas dos respeitáveis para os empurrar para o abismo do deleite e quando todo o nosso suor escorrer em conjunto acolheremos a nossa criação acordando todas as manhãs para uma nova luta sacrificando a liberdade que resta

e o que temos para mostrar senão o mundo fabricado do ouro e das falsas promessas?