• Cobramor

Invocação


o tempo reclama-nos e virá por nós não há direção para a redenção


devastámos a matéria no contacto demente no impacto dos beijos mutilados reciprocamente


bramidos em luxúria nocturna fúria firmada na desesperança do desejo em mais um cortejo pelo inferno aninhados nos fantasmas enormes desconhecidos consomem-nos com olhos disformes nas perigosas ruas do teu abandono


esventro o ego absoluto invoco o sossego impoluto na tua libertação irrompe a sublevação da natureza a nobreza das daninhas a correnteza da menstruação

não te quero amar mais enclausurado nas trevas desenlaço a besta bela e destemida que caminhe livre e pura de cabeça erguida faço apenas um sinal e ela vai para o mundo