Elias saiu para comprar cigarros - Parte II

Atualizado: há 6 dias

Continuação da Parte I

Era tão mais fácil abrir as pernas na maioria das vezes que Elias queria. Dava menos problemas do que andar a chatear-se com as aventuras idiotas dele e eventualmente ter de envolver advogados. Para quê? Para acabarem os dois em guerra devido ao pagamento da pensão estar alguns meses atrasado? Pelo menos era assim com as pessoas que ela conhecia. E ela conhecia muitas pessoas assim.

Nas vezes em que dava nega a Elias, era quase tão fácil inventar desculpas para não abrir as pernas como efectivamente fazê-lo.


Mas Micaela não acreditava em desculpas miseráveis e pouco criativas. Nada de dores de cabeça ou estar com o período. Ela acreditava em fazer as coisas bem feitas. Tinha brio no que fazia, afinal era como se fosse o trabalho dela. Mesmo que não descontasse no fim do mês.

Nutria assim, um orgulho semiprofissional nas desculpas que arranjava. Não se ficava por simplesmente dizer:

- Não me apetece.

Em vez disso, apontava subtilmente a Elias pequenas coisas que o levavam a perceber estar em vias de defraudar as expectativas dela.


Na vasta experiência de Micaela, no que dizia respeito a sexo - porque no fundo era só disso que se tratava - os machos lusitanos eram de duas espécies: ou só queriam despejar os tomates, ou nunca ficavam satisfeitos sem que a sua fêmea atingisse um clímax cheio de ais, uis, avés-marias e ai-jesus. Tudo por uma questão de orgulho, claro.

Elias pertencia claramente ao segundo grupo e quando ia a jogo, punha as fichas todas na mesa. Como ele costumava dizer:

- Há uma razão para que Prazer rime com Foder.

Para Elias, um era indissociável do outro. Enquanto Micaela não estivesse a arfar, suar, gemer e ganir, ele não estava nem contente nem satisfeito. Mesmo que para isso tivesse de sacrificar o seu próprio prazer e mesmo que, no fundo soubesse que o dela era a fingir.

Mais valia uma mentira útil do que uma verdade inútil.


Nada disto era por verdadeira preocupação para com ela. Era apenas uma questão de ego. E por ter plena consciência disso, Micaela sabia que alguns pequenos reparos que lhe fazia antes de irem para a cama, praticamente garantiam que o marido perderia a tusa. Precisamente porque deixavam claro que ela não iria ser fácil de satisfazer nessa altura.

Podia ser:

1) Estás com um cheiro estranho;

2) Estás a ficar com pança;

3) A tua pila está com um aspecto esquisito.

Quando não se sentia com capacidade para estar com esquemas, Micaela invocava simplesmente gases. Nessas alturas, chegava mesmo a dar peidos bem sonoros.

Esse motivo carregava consigo a imediata e mágica capacidade de diminuir abruptamente o desejo sexual dele.


(...) Continua na Parte III.

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