• Cobramor

A última ceia do canibal




pago a afirmação territorial

nas sobras do meu espaço

através da servidão imaterial

arrasado em cada estilhaço

de um espectro senhorial


mais um regresso ao abrigo

no compasso deste frenesim

uma mentira extraordinária

de que conhecerei o fim

da minha condição mercenária


ajoelhado ante o inesgotável filão

da conquista de uma felicidade

vomitada na alegoria do aumento

irrompe da infindável velocidade

interrompe o acórdão do nascimento


saciado com a descoberta da beleza

cristalizada na corrupção intestinal

a terra deserta do meu planeta

revolve-se em absoluta delicadeza

esmigalhando a submissão carnal


de agora em diante, indiferente

a qualquer hipótese de glória

ostento as minhas feridas confiante

honrada e quebrada escória

veneno para o necrófago dominante